
Grandes nomes da mídia brasileira, como Ancelmo Gois e Miriam Leitão (jornal O Globo); Márcia Neder (revista Claudia), ao lado de especialistas acadêmicos como Muniz Sodré, diretor da Fundação Biblioteca Nacional, e ativistas do movimento social debateram nos dias 14 e 15 de outubro o papel dos veículos de comunicação numa sociedade democrática, suas responsabilidades e limites.
O seminário surgiu de uma parceria entre a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Conselho Municipal dos Direitos do Negro (Comdedine) e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira), com apoio da Coordenadoria Especial de Promoção da Igualdade Racial do Município do Rio de Janeiro (CEPIR).
O CEERT participou da mesa “Da opinião publicada à opinião pública: A fabricação de um consenso anticotas no Brasil” apresentando, em primeira mão, dados iniciais da pesquisa “A Mídia Impressa no Brasil e a Agenda da Promoção da Igualdade Racial – Jornais e Revistas 2001-2008”. (Leia mais sobre a pesquisa no site do CEERT e nesta edição do Boletim).
Segundo o Coordenador Especial de Promoção da Igualdade Racial do Município do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Medeiros, mestre em Sociologia e Direito pela UFF, o encontro questionou a recusa da grande mídia nacional em entrevistar pessoas, celebridades e especialistas favoráveis às políticas de ação afirmativa. Dentre eles, o arquiteto Oscar Niemeyer, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, os antropólogos Roberto da Matta e Otávio Velho, o jurista Fábio Konder Comparato, os ministros do STF Marco Aurélio Mello, Joaquim Barbosa Gomes, Celso Mello e Carlos Ayres Britto, os jornalistas Miriam Leitão, Elio Gaspari e Ancelmo Gois, os atores Lázaro Ramos, Wagner Moura e Taís Araújo, os compositores e cantores Gilberto Gil e Martinho da Vila, entre outros.
Os palestrantes tentaram responder as seguintes questões: por que essas pessoas tão relevantes em nossa sociedade não costumam ser entrevistadas sobre o tema ações afirmativas? Seria isso produto de uma ação deliberada de grande parte da mídia brasileira, possivelmente interessada em fabricar uma opinião pública contrária a essas políticas?
Uma das respostas mais interessantes foi dada pelo professor pós-doutor Muniz Sodré. Para ele, a mídia e as elites brasileiras “sentem saudade da escravidão”, um sistema que garantia o distanciamento dos negros. Essas pessoas, arguiu Sodré, “temem algo que eu almejo, a proximidade, pois quando os negros passam a ocupar espaços antes não permitidos, como as universidades públicas, a sociedade muda, a história muda. A visibilidade dos negros é fundamental e ela ocorre com a proximidade, negada por aqueles que são contra as políticas afirmativas”, concluiu.
O encontro foi tema do Blog Afirmativas Memória Lélia Gonzales. Confira a matéria: http://afirmativas.blogspot.com/

Nenhum comentário:
Postar um comentário